quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval

Máscaras, confetes, serpentinas, as mais diversas fantasias, é carnaval! 
Raiou o dia, raios de sol coloridos, alegria, alegria! 
Nos corredores de Olinda, o frevo se encarrega de carregar a multidão que canta, pula, é hora de frevar! 
A noite, vou guiada pelo brilho da lua, Recife que me aguarde, o frevo não tem hora pra acabar! 
Alceu, Elba, Lenine, Spok, tá todo mundo lá! 
Que toquem as marchinhas, o frevo canção, o maracatu, o caboclinho e não perquemos a tradição! 
A  multidão encantada, inebriada, e por que não dizer apaixonada? 
Apaixonada sim senhor! 
O carnaval de pernambuco, respira, inspira, transpira amor! 
Amor não só, amor e orgulho. 
Orgulho por poder dizer que aqui nós temos o melhor carnaval do mundo! 
O galo já cantou. 
O homem da meia noite passou. 
A quarta-feira chegou, ingrata, querendo calar o frevo, cortar a brincadeira. 
Em cinzas, desfez-se meu carnaval, e em alegria, se fará um novo, de novo. 
Faltam trezentos e cinquenta e três dias, e até lá hei de esperar. 
Ano que vem, vou empunhar a sombrinha, vestir a fantasia, e sentir o frevo me carregar.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

O cálculo matemático

  E então eu esqueço-me que o amor não é cálculo matemático, que não é fórmula, não é equação, não é exato, e muito menos prático demais. Eu esqueço-me porque quero, me entrego a este esquecimento, eu me derramo, me lambuzo, me banho. O amor não passa de um cálculo, eu me convenço, ou tento, não sei se consigo. 
  Eu quero calcular, quero ver-me no controle de tudo, tomar as rédeas, conduzir a carruagem, não quero permitir-me não saber do que vem, mas, quero que permitam-se, que venham, que a vida traga, e eu tenho que saber, com urgência, com essa sede de controlar, de fazer estar tudo em seu curso, sede de saber, saber até do que não posso. É tudo um cálculo convenço-me, mil, um milhão de vezes, quantas  mostrar-se necessário. Meu cérebro concorda, ele ajuda, contribui, meu coração não, ele quer que eu deixe-me levar, que eu sinta. 
  " Feche os olhos. " - sussurra, e eu estou tentada a fazê-lo. 
  " Feche os olhos como quem sente a brisa fresca, como quem ouve a melodia mais suave, como quem vai dormir, aquele sono de criança, como quem sonha, sonhe criança, sonhe."- Ele repete, incansável, irredutível. 
  Começo a imaginar, brisa leve, cheiro doce, sol se pondo, tudo ao meu redor agora é inebriante. O amor chegou, andorinhas anunciam a força com que ele vem, a areia branca, quase neve escoa pelos dedos das mãos, tudo é lindo. Imagino como seria nós, seria bonito eu acho, meu pensamento é mais clichê que isso para lhes ser sincera, nos completaríamos. Como as últimas peças de um quebra-cabeça, aquelas que a gente demora mais pra encaixar, essas aí. Que talvez nunca se encaixem. 
  Não me permito ir adiante, eu nego o amor, nego o que não sei, desconheço, porque temo que não dará mais certo, a partir de agora, só pensarei no que me é palpável. O amor faz isso, passamos a imaginar como tudo seria, a sonhar demais, pensar demais, sentir demais. Repito milhões de vezes, de novo e de novo, que é pra não deixar-me cair em tentação: O amor é um cálculo matemático(será mesmo?), cálculos não se imaginam, o MEU AMOR é um cálculo matemático. Tudo volta a ser eu, assim, cheia dessas dúvidas traidoras, cálculos não resolvidos e deslizes, entregas ao que encanta, e logo em seguida retornos ao exato, prático, real, tudo isso só porque o que encanta pode desencantar também.