Acalma-te menina, tranquiliza-te, respira fundo, respira de novo, repete isso até que finalmente a névoa se dissipe, até que tua visão - não mais trêmula - foque bem o que tens de enxergar, só o que te completa, te melhora, te engradece. Morena, apenas sorria, permite-te desfrutar do doce da vida, não cobra tanto de ti, não faz do amor um cálculo matemático, nem vive para agradar a todos.
Aprende, menina dos olhos negros esbugalhados, que não se pode obrigar a sentir determinadas coisas, tudo vem com o tempo... Até o desprezo, a vontade de se afastar, de deixar ir, de dizer finalmente : vai, que eu fico bem sem ti - e não sentir o peito pesar de arrependimento - e então tu poderás sorrir por fim, mesmo tendo se despedido, mesmo tendo deixado ir, sem mágoas ou desavenças, a paixão acabou, porque verdadeiramente a vontade de cuidar nunca estivera em vossos corações, ali residiu somente o prazer de vos unir em carne, o amor nunca havia sequer nascido.
E então tu vais cuidar de quem te quer ver feliz, ainda que sem possuir-te, sem tocar-te, sem lábios nos lábios. Vais dedicar-te a quem zela por ti, e tem como desejo o de remar no mesmo barco que tu, de encontrar-te mesmo que nem tu mesma saibas onde estais, de te levantar quando estiveres no chão, alguém que ame tuas qualidades, e te ame o suficiente para aguentar teus maiores defeitos, talvez, minha doce pequenina, a resposta da tua pergunta seja: let there be love - deixa vai, deixa que o tempo cuida, o tempo faz existir, faz florescer - e não esquece, little darling, o caminho é um só.