terça-feira, 24 de abril de 2012

Livres para sermos controlados

  Para além dos muros da filosofia que apenas questiona, pergunto-me e busco uma resposta: Será que somos mesmo livres? Será que não há realmente (direta ou indiretamente) meios que assim como a ditadura de 64 nos calam a boca? Ou pior, nos calam o pensamento? Eu acredito piamente que somos sim limitados quanto à liberdade de expressão na qual tantos e tantos acreditam.
  A televisão é a prova concreta de que os meios de manipulação em massa são mais eficientes do que o "cale-se" ditador, basta observar a indiferença da maioria das pessoas quanto aos absurdos que claramente, ainda acontecem no Brasil.
  A indústria televisiva empurra aos seus telespectadores as mais diversificadas e inúteis novelas, reality shows, jornais (com o tempo muito menor em comparação aos ocupados por novelas e outros programas) que omitem grande parte dos fatos que acontecem. 
  Assistir TV hoje em dia é uma perda de tempo tão grande quanto contar carneirinhos antes de dormir, mas nem todos sabem disso. Consciente de seu poder de manipulação a mídia é incansável, controla, aliena, nos cala, até que concordamos sem saber com as mais diferentes atrocidades vindas do próprio governo brasileiro, tudo acontece bem debaixo de nossos narizes, no entanto estamos todos vendados.
  Sem falar na maior e mais poderosa indústria de alienação brasileira, o bom e velho futebol. Chamem-me de radicalista ou que quer que seja, mas por que o governo estaria tão preocupado com a construção de tantos estádios? Se você que isso é porque eles se importam bastante com o fato dos brasileiros precisarem de diversão, precisa enxergar o outro lado da moeda. Tudo não passa de uma estratégia de controle da sua liberdade, que a muito você perdeu sem nem perceber.
  Um cidadão que perdeu a capacidade de questionar seu governo perde por completo a liberdade, achando que a tem; sabendo disso o estado permanece intocável, em toda sua "democracia".
  Somos todos vendidos, o ano inteiro o governo nos compra com futebol, carnaval, São João, bolsa família, bolsa escola, isso e aquilo outro, e nós aceitamos, consentimos com a papagaiada que uma grande maioria gosta de chamar de "democracia", e no fim votamos alegres e satisfeitos, já esquecidos que o Brasil é a quinta maior potência econômica do mundo e não garante saúde e educação básica para a sua população.
  Vivemos anos tão difíceis quanto os da ditadura, por confiarmos o Brasil a um governo que engana nosso povo, corrompe nosso dinheiro e violenta nossa população, porque sim, fome é violência, falta de educação é violência, e das piores. Confiamos o Brasil há um governo que cobra-nos impostos caros, só para encher seus próprios bolsos, e faz isso sem pudor por ter a certeza que nos desarmaram. Esquecemos dos erros que cometemos ao termos (com exceção dos comunistas que assim como a minoria consciente das atrocidades do governo lutou) nos deixado calar uma vez, na longa ditadura de 64. Será que uma só vez não será o suficiente para que aprendamos a lição?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Amanhã

  Discreta, tímida, chega como quem não quer nada, primeiro olha tudo de longe, sorri distante, aproxima-se as vezes só pra depois te deixar novamente, vai e volta, nunca fica de vez, e tu vais acreditando na alegria mesmo tudo sendo sempre igual. Convence-te mil, um milhão de vezes se preciso de que a vida é linda. 
 Até que ela vem, segura tua mão e acompanha-te, sorri enquanto choras sem um pingo compaixão. Logo depois te faz conformada, quando a noite cai ela põe-te para dormir, quando o dia amanhece te acorda com um ríspido bom dia, ao meio dia anda ao teu lado até tua casa. 
  Está nas músicas, nas ruas, nos rostos apressados à caminho do trabalho, está nos livros, está em tudo. Sempre. Está nas fotografias antigas, ainda que estejas sorrindo, e está principalmente enfiada no teu peito, misturada ao teu sangue, injetada sem teu consentimento. 
  No entanto, estais tão cansada de resistir que a abraças, dá as boas vindas, conforma-te, como nunca concordou em fazer. Cansada, deixas tudo para amanhã. Amanhã eu luto, amanhã eu vejo o sol, amanhã eu vou à praia, amanhã quem sabe eu saio um pouco, amanhã eu leio, amanhã sorrio, amanhã estudo. Amanhã é sempre depois de amanhã e depois de amanhã é sempre semana que vem e semana que vem demora meses, anos, muito tempo pra chegar. E entre os amanhãs desta vida, vou me conformando devagar, com essa tristeza suave, doce, dilacerante. Amanhã ela há de passar.