Discreta, tímida, chega como quem não quer nada, primeiro olha tudo de longe, sorri distante, aproxima-se as vezes só pra depois te deixar novamente, vai e volta, nunca fica de vez, e tu vais acreditando na alegria mesmo tudo sendo sempre igual. Convence-te mil, um milhão de vezes se preciso de que a vida é linda.
Até que ela vem, segura tua mão e acompanha-te, sorri enquanto choras sem um pingo compaixão. Logo depois te faz conformada, quando a noite cai ela põe-te para dormir, quando o dia amanhece te acorda com um ríspido bom dia, ao meio dia anda ao teu lado até tua casa.
Está nas músicas, nas ruas, nos rostos apressados à caminho do trabalho, está nos livros, está em tudo. Sempre. Está nas fotografias antigas, ainda que estejas sorrindo, e está principalmente enfiada no teu peito, misturada ao teu sangue, injetada sem teu consentimento.
No entanto, estais tão cansada de resistir que a abraças, dá as boas vindas, conforma-te, como nunca concordou em fazer. Cansada, deixas tudo para amanhã. Amanhã eu luto, amanhã eu vejo o sol, amanhã eu vou à praia, amanhã quem sabe eu saio um pouco, amanhã eu leio, amanhã sorrio, amanhã estudo. Amanhã é sempre depois de amanhã e depois de amanhã é sempre semana que vem e semana que vem demora meses, anos, muito tempo pra chegar. E entre os amanhãs desta vida, vou me conformando devagar, com essa tristeza suave, doce, dilacerante. Amanhã ela há de passar.
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