O abraço é o encontro de dois corações. A dança é a expressão corporal da alma. Não haverá nada de mais belo e significativo no mundo do que dançar abraçado: dois corações apaixonados, a expressão do amor, a face de Afrodite contorcendo-se de alegria, o céu estava em festa. Ali, onde em dias normais reside o tédio e a monotonia, jazia um casal, não desses que se vê sempre, eram amantes, verdadeiros amantes. Ambos hipnotizados de amor; cegos pela certeza de que abraçavam o seu porto seguro; protegidos, um no braço do outro, dos males desse mundo que nunca compreenderá os apaixonados.
Não precisava ter poderes especiais para traduzir perfeitamente o que seus olhos já gritavam, qualquer pessoa, por mais insensível que fosse, se comoveria diante da cena e impulsivamente desejaria amar também, e ser para alguém como ela era para ele, e ele era para ela: insubstituível.
Em perfeita sintonia, ao ritmo da música suave que seus passos seguiam despreocupadamente, a felicidade deles era tamanha que jorrava pelos olhos, repuxava-se em sorrisos, e afim de se prenderem para sempre apertavam-se ainda mais num laço divino a que costumeiramente as pessoas chamam de abraço.
Quando coincidentemente seus olhos se encontravam tudo no mundo se tornava vergonhosamente feio, desde de a beleza de uma noite de lua cheia à beira mar, até o pôr do sol no campo que emana tranquilidade, aquele olhar transmitia a intensidade do que eles nunca haviam sentido antes, e do que desejavam que durasse para sempre.
Sempre, a palavra certamente preocupava ambos, não que descressem na eternidade de um amor que ultrapassa a barreira do que nos é palpável, é só que o simples pensar em algo que os separasse latejava como ácido corroendo a pele de seus rostos encantados de amor. Se apertaram ainda mais naquele instante, afim de afastar o pavor que era pensar na partida. Romeu e Julieta os invejariam, quanto amor nutria aquele jovem casal.
