Dentro do lago, havia um barco.
Dentro do barco, havíamos nós.
Dentro de nós, havia o que desconhecíamos.
Por nos desconhecermos, nos conhecemos.
Ao nos conhecermos, nos enganamos.
Ao nos enganarmos, acreditamos.
No dito e no ouvido,
no que não desejávamos,
no que na verdade não era pra ser, e foi, e é.
Ainda no lago,
ainda no barco,
ainda desconhecidos,
veio a tempestade.
Acabando com tudo...
O barco virou,
perdemos os remos,
nos perdemos.
Solitários, incompreendidos, mentirosos, amantes.
Nos desenganamos,
nos afastamos,
nadamos para longe,
para nos abrigar,
para nos esquecer,
para virar pó no filtro de uma memória de boas lembranças gastas pela tempestade.
E então veio o sol,
e como Imã e metal,
nos re-atraímos,
nos re-aproximamos,
nós tentamos.
Descobrimos que apesar de no barco corrermos riscos,
e fora dele, não haver risco algum,
não correr o risco de uma tempestade, significava nunca desfrutar de uma manhã de sol.
E nós amávamos o sol.
E amávamos o barco.
E talvez, nós também nos amássemos.

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