sexta-feira, 30 de março de 2012

Yes, we can!

  Tudo isso é tão idiota e massante, esta coisa de fingir que é forte, que pode tudo, que a perfeição mora ao lado e nunca estará distante, de fingir ser muito sábia tendo tantas e tantas dúvidas, e o pior de tudo é quebrar a cara, dar de nariz com a parede que lhe informa que você não pode ultrapassar o muro de uma vez, que na verdade, essa coisa de ser forte não significa carregar o mundo nas costas, e fingir simplesmente que tudo é fácil. 
  Ser forte tem a ver com encarar que você nunca está completamente certo, e que a vida é um eterno aprendizado, tem a ver com encantar, mas deixar-se encantar é ainda mais importante. Tem a ver mais ainda com dividir o peso que se carrega, porque sozinha ele lhe esmaga e dilacera-a tão rapidamente que teus olhos mal poderiam perceber, é sorte nossa ter quem se encante mesmo que não tenhamos demonstrado nos encantar, e nos segure, nos abrace, alguém que nos lembre que por trás da simplicidade  do jasmim existe o cheiro mais doce do mundo. 
  Olhe ao seu redor. Cobre-se menos. Olhe. Olhe mais. Nunca é tarde para notar que a perfeição não passa de uma utopia boba. Você precisa colher as flores do mundo. As mais cheirosas e doces flores. Aquelas, que sempre lhe aguardam com um sorriso, um abraço, e as palavras mais incentivadoras do mundo. Sim. Você é capaz. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Tragédia

  Penas pairavam sobre o ambiente, risos ao fundo, o som vez mais próximo, a imagem se desenhando perfeitamente a cada passo à frente, quando finalmente tudo tornou-se nítido eu parei. Erámos eu e você. E eu nos via, mas eu também vivia. Só que tudo separadamente, ao mesmo tempo que era eu quem ria, eu não fazia parte daquilo, como se eu fosse a narradora observadora da minha própria história. De início eu me perguntei o que tudo aquilo significava, estranhei, é lógico, mas por fim, como uma criança que ao longo do crescimento passa a parar cada vez mais de se questionar, cada vez que eu via mais aquela cena eu aceitava que nunca poderia entendê-la. Apenas analisa-la. 
  O quarto era branco, pequeno, pouco à pouco notei que era na verdade, o meu quarto. Poucos móveis, alguns adornos delicados, vários pôsters dipostos organizadamente em apenas uma das paredes, uma escrivaninha muito útil e estantes de livros abarrotadas cobrindo uma das paredes, havia também um notebook e uma porta que dava para o closet e o banheiro, organizados e arquitetados exatamente como eu desejava. Em cima da cama, havia o novo morador do quarto, tinha acabado de ganha-lo de presente de John. Era lindo e totalmente clichê, igual o cenário, igual a nós, igual a todos os meus pensamentos naquele dia, igual a tudo que passou-se. Chamei-o de Tedd, nome comum aos ursos, pelo menos aos meus, recordo-me de que quando eu era criança todos os meus ursos chamavam-se Tedd.  
   Quanto as penas, provinham todas elas dos meus travesseiros, usados como armas na luta que era travada entre eu e John, meu riso era estridente, o que o fazia cessar a pancadaria (ele batia como uma menininha para não me machucar)  e contorcer-se de rir da minha risada. Confesso, eu rio mesmo muito engraçado. Enquanto ele fazia isso, eu tentava parecer chateada, revirava os olhos, batia o pé, chamava-o de idiota, dava-lhes travesseiradas e por vezes dava-lhes tapinhas de leve. A luta continuava, e nós dois nos divertíamos como nunca. Caímos ao chão, bobos, infantis, idiotas, apaixonados. Vez ou outra nos beijávamos, só pra depois rir de novo de toda a situação, incomum, clichê demais. Tudo era lindo, nós realmente nos gostávamos. 
   De fora, eu encarava aquela cena tentando entendê-la, e pouco à pouco, a memória de algum dia tê-la vivido chegava. Foi quando aconteceu. Tudo caiu sobre mim como uma avalanche, um turbilhão de pensamentos me invadiu, e eu senti as lágrimas correrem, quentes, chocantes, destruidoras. Sentia a dor que queimava de dentro para fora, como se uma fogueira tivesse sido acesa dentro de mim, e me ferisse. Os sentimentos mudavam, a cada segundo que pensava no que havia acontecido. Eu sentia raiva, dor, saudade, não sabia qual mais me machucava. 
   Eu morri. Não posso acreditar que morri. Foi naquele dia lindo, que logo desfez-se em cinzas que tudo aconteceu. Eu estava em casa, mamãe preparava o almoço, John havia descido para pegar chocolate e saciar nossa fome depois da guerra de travesseiros, e meu pai aguava o jardim lá fora. Tudo corria tranquilamente naquele domingo chuvoso de Julho, até acontecer. Por algum motivo, o gás na cozinha começou a vazar, mamãe gritava por mim, mas a música alta em meus ouvidos não permitia-me ouvir, as chamas já haviam tomado a escada, todos tentavam me alcançar de alguma maneira, em pouco tempo, tudo ardia em chamas, e o fogo alcançava meu quarto, Fui até a janela engradada e notei tarde demais que John gritava por mim, desisti antes mesmo de tentar lutar. Tudo queimava e lembro-me de ter sentido uma dor intensa quando o fogo atingiu meu corpo, mas não maior do que a de saber, que tudo o que eu amava perdeu-se no tempo. Aproximei-me de John, o da cena, que atirava-me travesseiros, tentei abraça-lo, mas era como tentar abraçar o vento. Ao invés disso, encarei-o uma última vez. Inspirei fundo, e senti novamente as lágrimas rolarem por meu rosto. Em seguida, fui tomada por um sentimento de foi-bom-viver, para depois voltar a amaldiçoar a morte, e desejar profundo que tudo não passasse de mais um pesadelo. 
   
    

sexta-feira, 9 de março de 2012

You can be strong

  Levanta garota, enxuga essas lágrimas, erga-se, sai do buraco. Você é maior que tudo isso, é bem mais do que tudo isso que pensa. Vamos! Logo! A vida está passando lá fora, e você está perdendo tudo. Apressa esse passo, corre atrás, nem tudo pode estar tão perdido assim que não dê para achar o caminho de volta.
  Eu sei que a vida é cruel, acredite, eu sei muito bem que ela é! Não espera a gente se curar, tem que ser tudo assim, às pressas, ou você corre ou fica para trás, é sempre esse maldito jogo massacrante e igual. Você se sente quase sendo torturada, uma navalhada a cada hora sozinha, uma queimadura nova a cada lágrima quente que derrama, um pisão a cada vez que não aguenta o peso do próprio corpo e cai ao chão, veja bem, eu sei que ninguém liga.
  Mas você realmente precisa sair dessa. Vamos meu doce, eu sei que escondida nessas bochechas existem duas covinhas, que desabrocharão assim que você sorrir, vamos lá! Eu sei também que existe mais do que só toda essa dor e mágoa, existe toda a doçura, que misturada com a vida, poderia transformar o que é amargo, numa deliciosa caramelada. Oh meu bem, não ligue. Não se importe se as pessoas não se importam com você, elas simplesmente não sabem como não machucar. 
  Creia, tudo passa. Tudo passa. Tudo sempre passa. E você já encarou piores, nade, nade com vontade, nenhuma corrente é tão forte que não se tenha chance de nadar, e as chances de acertar nunca serão nulas desde nós estejamos vivos, e nós estamos, bem aqui. Carne, osso e sentimento. Você é tão inteligente, todos dizem, eu sei que pode, oh, eu tenho certeza que você pode. Agora, colha os cacos de si que espalharam-se, cole tudo com o belo pote de força que eu sei que existe em você, e sorri, muito, de verdade. Sente a mudança? Eu já posso sentir!