sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fé, força e um doce recomeço

  Caminhava com certa desatenção pela praça um tanto quanto monótona, pelo chão, folhas alaranjadas marcavam a chegada da estação que eu considerava mais triste, apesar disso, tinha um carinho oculto pelo outono, não sei ao certo, mas ele quase me parece um recomeço, não, acho que ainda não é bem isso. É o fato de ele mostrar toda a dureza de um recomeço, entendes? 
  Aquelas árvores sem flores, quase parecendo desesperançadas, como se quase se entregassem aquela angústia crescente, à medida que mudavam, que suas folhas caiam, que as feridas mais internas latejavam e alegria que antes demostravam se esvaia juntamente com suas folhas, e as incertezas gritantes de que algo desse certo se faziam cada vez mais presentes, a quase descrença de que realmente se pudesse recomeçar, mas, ainda assim, ele era contínuo, resistente, insistente, até o último segundo, onde esbanjaria sua vitória, ó como era admirável o tal do outono.
   Em toda sua monotonia e completa feiura, ele ainda era lindo. Fé e força. Que haja fé, e que haja força, e que depois de todas as nossas lutas, angústias e longos outonos, ainda possamos sorrir com orgulho e dizer: Recomecei, venci. E que sejam doces e gloriosas essas nossas vitórias! 

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