Essa dor que cresce e consome, essa saudade que queima, arde, espalha-se, tal qual fogo em gasolina, essa saudade que quase me derruba de tão dolorosa, essa vontade de te trazer de volta, e de te dizer mil coisas que eu não disse, de dar-te um último abraço, vontade de suplicar que tu voltes, ou que tu me apareças, de reclamar satisfações tuas, foste embora tão de repente, que por um tempo, eu quase não percebi, eu estava tão anestesiada com toda tua vontade de viver (ou talvez minha vontade de te ter vivo), que permaneceste vivo por esse tempo todo. E eu mal percebi, que há muito tempo era tarde demais para eu te dizer qualquer coisa, para eu te pedir qualquer coisa.
Lembro-me bem do quão eu era pequena, boba, inocente, tão feliz... Coisa da infância mesmo, eu só lamento ter sido tão pequena a ponto de não aproveitar o que me oferecias para muito além de todas aquelas brincadeiras que fazias, lembra? Eu gostava tanto daquelas brincadeiras... Lembro também que eu não dizia o quanto gostava delas, lamento, eu deveria mesmo ter te dito. Sinto tua falta agora, sinto falta de toda aquela alegria, sinto falta do que não pudemos viver juntos por eu ser pequena demais. Sinto também por nunca ter dito que te amava. Muito. Sinto por perceber isso tarde demais, bem depois que fostes embora. É só que naquele tamanho, eu não entendia muito bem o que era eu te amo, eu nem entendia muito bem o por que que as pessoas tinham que partir, e sinceramente, eu nem achava possível que tu pudesses partir, tinham me ensinado que as pessoas morriam quando estavam velhinhas, fracas e que elas iam então, morar com papai do céu.
Perdoe minha inocência, gostaria de saber que tu irias cedo demais. Droga. Eu deveria saber, os bons morrem cedo, só hoje eu sei. Enquanto isso, a saudade ainda aperta meu peito, e as lágrimas banham a minha face num desejo enorme de ouvir tua voz, gosto de pensar que tu me escutas chorar, e então eu tento sorrir, e pensar que tu estais na verdade, rindo dessa minha bobagem. Sabe, eu caio no riso quando penso nisso, vem aquele desejo súbito de poder te ver de qualquer jeito, de voltar no tempo, concertar as coisas, dizer o que não disse, fazer o não fizemos, te dizer pra ficar, te proteger, e suplicar milhões de vezes para que não foste tão cedo, de dizer o quanto tu fazes falta, de dizer o quanto esse abismo escuro e desesperançoso que nos separa é tão cruel, só digo-te em orações, pensamentos, e minhas lágrimas, e fico aqui na esperança de que me escutes, me entenda, me responda, me acalme...
Não sei quanto tempo vamos ficar sem nos ver, talvez pra sempre, talvez nos vejamos amanhã, talvez há alguns anos, mas, seja o tempo que for, é muito, e me dói tanto essa cruel incerteza. Nada é como antes, e ninguém estampa o mesmo sorriso no rosto, ainda que saibamos que estais por perto, é tão difícil sem nos falarmos... Principalmente quando há tanta coisa pra ser dita.
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