Não consigo mais olhar tua foto, como também não consigo mais preencher minha cabeça com qualquer coisa que não me lembre você, tudo, absolutamente tudo, trás uma lembrança tua, ainda que meio distante... Não é que eu te ame. Não, eu não amo. É só que eu sei o quanto vai fazer falta aquelas conversas meio vazias que tínhamos, lembro-me que elas preenchiam tudo, porque era naqueles vazios insignificantes que nós nos entendíamos, a inutilidade de quase todas as perguntas que nos fazíamos, era exatamente ali que nós erámos nós.
É só que nos meus pensamentos o que tinhamos não seria algo passageiro, e nossos sorrisos tímidos ainda repuxariam-se levemente no canto de nossas bocas quando nos olhassemos, e nosso olhar, ainda seria intenso e contínuo, apesar de extremamente misterioso e pouco revelador.
Confesso que já te culpei bastante, e em meus pensamentos, já te matei diversas vezes por ter acabado com essa minha fantasia meio boba, de que embora misterioso, o futuro guardava coisas boas pra nós dois juntos. O que eu esqueci de fazer presente foi que fantasias, não passam de fantasias, e elas permanecem sempre irreais. E ainda que belas, não concretizam-se na realidade que eu gostaria que fosse.
Me pegaste de surpresa, confesso. E não sei ao certo quando vou me acostumar a ser tratada como qualquer outra. Lembro-me que em um passado não tão distante, tu me dirias que eu não era qualquer outra, talvez fosse só da boca para fora, não sei bem. Antes, o que na verdade é bem pouco tempo, mas que parece mais uma eternidade, eu teria certeza de que sabia bastante sobre você, mas, bem, as coisas não são iguais quando todas as tuas atitudes te fizeram irreconhecível. Não sei o que esperava, na verdade, talvez a culpa tenha sido minha em não prever, estavas certo quando disseste que escondia muito bem teus sentimentos, enganada estava eu, que achei te conhecer o suficiente para ler teus sinais, bem que podias, neste caso, me deixar lê-los pouco à pouco, em vez de me apunhalar de repente, com a notícia breve de que partirias.
Pois bem, como muito bem colocou meu ilustre Caio Fernando: "Odeio circo. Aliás, odeio tudo que me encanta e vai embora." Talvez dizer mais alguma coisa seja desnecessário, e ainda mais humilhante. Mas, foda-se, direi assim mesmo, talvez não tenha havido tempo, de eu dizer-te o quanto odeio contos, histórias curtas (embora as escreva de montes), que nos encantam, e no melhor de tudo tem fim, minha maior decepção é ter recebido um conto de presente teu, com um final tão repentino, que mal pude perceber que já chegava ao fim. Como disse, não te culpo, mesmo porque não me disseste teus motivos.
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