domingo, 29 de julho de 2012

Let there be love

  Acalma-te menina, tranquiliza-te, respira fundo, respira de novo, repete isso até que finalmente a névoa se dissipe, até que tua visão - não mais trêmula - foque bem o que tens de enxergar, só o que te completa, te melhora, te engradece. Morena, apenas sorria, permite-te desfrutar do doce da vida, não cobra tanto de ti, não faz do amor um cálculo matemático, nem vive para agradar a todos. 
  Aprende, menina dos olhos negros esbugalhados, que não se pode obrigar a sentir determinadas coisas, tudo vem com o tempo... Até o desprezo, a vontade de se afastar, de deixar ir, de dizer finalmente : vai, que eu fico bem sem ti - e não sentir o peito pesar de arrependimento - e então tu poderás sorrir por fim, mesmo tendo se despedido, mesmo tendo deixado ir, sem mágoas ou desavenças, a paixão acabou, porque verdadeiramente a vontade de cuidar nunca estivera em vossos corações, ali residiu somente o prazer de vos unir em carne, o amor nunca havia sequer nascido. 
  E então tu vais cuidar de quem te quer ver feliz, ainda que sem possuir-te, sem tocar-te, sem lábios nos lábios. Vais dedicar-te a quem zela por ti, e tem como desejo o de remar no mesmo barco que tu, de encontrar-te mesmo que nem tu mesma saibas onde estais, de te levantar quando estiveres no chão, alguém que ame tuas qualidades, e te ame o suficiente para aguentar teus maiores defeitos, talvez, minha doce pequenina, a resposta da tua pergunta seja: let there be love - deixa vai, deixa que o tempo cuida, o tempo faz existir, faz florescer - e não esquece, little darling, o caminho é um só. 

domingo, 17 de junho de 2012

Ao som da música

  O abraço é o encontro de dois corações. A dança é a expressão corporal da alma. Não haverá nada de mais belo e significativo no mundo do que dançar abraçado: dois corações apaixonados, a expressão do amor, a face de Afrodite contorcendo-se de alegria, o céu estava em festa. Ali, onde em dias normais reside o tédio e a monotonia, jazia um casal, não desses que se vê sempre, eram amantes, verdadeiros amantes. Ambos hipnotizados de amor; cegos pela certeza de que abraçavam o seu porto seguro; protegidos, um no braço do outro, dos males desse mundo que nunca compreenderá os apaixonados. 
  Não precisava ter poderes especiais para traduzir perfeitamente o que seus olhos já gritavam, qualquer pessoa, por mais insensível que fosse, se comoveria diante da cena e impulsivamente desejaria amar também, e ser para alguém como ela era para ele, e ele era para ela: insubstituível. 
 Em perfeita sintonia, ao ritmo da música suave que seus passos seguiam despreocupadamente, a felicidade deles era tamanha que jorrava pelos olhos, repuxava-se em sorrisos, e afim de se prenderem para sempre apertavam-se ainda mais num laço divino a que costumeiramente as pessoas chamam de abraço.  
 Quando coincidentemente seus olhos se encontravam tudo no mundo se tornava vergonhosamente feio, desde de a beleza de uma noite de lua cheia à beira mar, até o pôr do sol no campo que emana tranquilidade, aquele olhar transmitia a intensidade do que eles nunca haviam sentido antes, e do que desejavam que durasse para sempre.   
  Sempre, a palavra certamente preocupava ambos, não que descressem na eternidade de um amor que ultrapassa a barreira do que nos é palpável, é só que o simples pensar em algo que os separasse latejava como ácido corroendo a pele de seus rostos encantados de amor. Se apertaram ainda mais naquele instante, afim de afastar o pavor que era pensar na partida. Romeu e Julieta os invejariam, quanto amor nutria aquele jovem casal.

sábado, 9 de junho de 2012

O lago, o barco e nós

Havia um lago.
Dentro do lago, havia um barco.
Dentro do barco, havíamos nós.
Dentro de nós, havia o que desconhecíamos.
Por nos desconhecermos, nos conhecemos.
Ao nos conhecermos, nos enganamos.
Ao nos enganarmos, acreditamos.
No dito e no ouvido, 
no que não desejávamos,
no que na verdade não era pra ser, e foi, e é.

Ainda no lago, 
ainda no barco, 
ainda desconhecidos, 
veio a tempestade.
Acabando com tudo... 
O barco virou,
perdemos os remos,
nos perdemos. 
Solitários, incompreendidos, mentirosos, amantes. 

Nos desenganamos, 
nos afastamos, 
nadamos para longe, 
para nos abrigar, 
para nos esquecer,
para virar pó no filtro de uma memória de boas lembranças gastas pela tempestade. 

E então veio o sol, 
e como Imã e metal, 
nos re-atraímos,
nos re-aproximamos, 
nós tentamos.  
Descobrimos que apesar de no barco corrermos riscos, 
e fora dele, não haver risco algum, 
não correr o risco de uma tempestade, significava nunca desfrutar de uma manhã de sol.
E nós amávamos o sol. 
E amávamos o barco. 
E talvez, nós também nos amássemos.







terça-feira, 5 de junho de 2012

Algo

  Caminhava pela rua como sempre fizera, desatenta, voltada tanto para si que não seria capaz de memorizar por certo o caminho, e sabia que não se perderia pelo reconhecimento da rua clara, doce e silenciosa a que se destinava. Mais uma dia comum. Seria mesmo isso? Talvez não, o dia comum a que ela havia se habituado meses antes era um tanto alegre e despreocupado, risos de piadas cujo o dono ela simplesmente gostava, assim, sem nenhum para quê. Sem amar, sem se amarrar, sem exigir, sem nada... 
    A vida nunca consegue ser clichê, embora seja ela, por ser vida, um clichê enorme. Seus olhos, sem motivos palpáveis enchiam-se de lágrimas ácidas, pesadas, inesperadas. Cantarolava baixinho, para afastar a melancolia, para se vingar da dor, para espantar as lágrimas, calar os pensamentos, e ir contra o coração.
  Essa coisa de amar, de dar certo, de acreditar, de chegar a hora, talvez seja superestimada demais. E só por isso é que dói tanto, se começássemos algo sem esperar que ele foste, além do algo, ele seria apenas algo, e por ser apenas isso, jamais doeria. Se não tentássemos crescer a pequena fogueira na clareira no centro da floresta, por certo, poderíamos sentir frio, mas em compensação, ela nunca incendiaria todo o resto. Seria sempre pequena fogueira. E o algo, sempre algo. Impreciso. Inexato. Não denominado. Simples. Algo que não importa. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Faça-me um favor, suma, agora, neste segundo, não deixe nada que lembre-me que alguma vez houve alguém aqui de novo. Leve seus pertences, não quero lembrar dos seus olhos ao ver seus óculos jogados pelo meio da casa, não quero lembrar que algum dia conheci alguém que fosse até mesmo remotamente parecido com você, leve tudo, exceto o que é meu por direito, e com isso quero dizer apenas o meu coração. Vá. Não me olhe com aquele olhar de quem quer ficar mas não quer significar muito, não lhe quero pela metade, é tudo ou nada. Não tente se despedir ou dizer adeus, ao invés disso não me olhe nem nos olhos, dê apenas as costas, e ao sentir a fisgada da dor que será sua ida eu simplesmente tentarei fingir que você é apenas um desconhecido qualquer, então meu bem, por favor não me olhe, não me deixe tentar(mais um vez) descobrir a cor dos seus olhos e saber o que pensas. Apenas vá. Assim, sem mais delongas, sem despedida, parta que nem borboleta, de repente, sem aviso, vá e parta sem mim. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Livres para sermos controlados

  Para além dos muros da filosofia que apenas questiona, pergunto-me e busco uma resposta: Será que somos mesmo livres? Será que não há realmente (direta ou indiretamente) meios que assim como a ditadura de 64 nos calam a boca? Ou pior, nos calam o pensamento? Eu acredito piamente que somos sim limitados quanto à liberdade de expressão na qual tantos e tantos acreditam.
  A televisão é a prova concreta de que os meios de manipulação em massa são mais eficientes do que o "cale-se" ditador, basta observar a indiferença da maioria das pessoas quanto aos absurdos que claramente, ainda acontecem no Brasil.
  A indústria televisiva empurra aos seus telespectadores as mais diversificadas e inúteis novelas, reality shows, jornais (com o tempo muito menor em comparação aos ocupados por novelas e outros programas) que omitem grande parte dos fatos que acontecem. 
  Assistir TV hoje em dia é uma perda de tempo tão grande quanto contar carneirinhos antes de dormir, mas nem todos sabem disso. Consciente de seu poder de manipulação a mídia é incansável, controla, aliena, nos cala, até que concordamos sem saber com as mais diferentes atrocidades vindas do próprio governo brasileiro, tudo acontece bem debaixo de nossos narizes, no entanto estamos todos vendados.
  Sem falar na maior e mais poderosa indústria de alienação brasileira, o bom e velho futebol. Chamem-me de radicalista ou que quer que seja, mas por que o governo estaria tão preocupado com a construção de tantos estádios? Se você que isso é porque eles se importam bastante com o fato dos brasileiros precisarem de diversão, precisa enxergar o outro lado da moeda. Tudo não passa de uma estratégia de controle da sua liberdade, que a muito você perdeu sem nem perceber.
  Um cidadão que perdeu a capacidade de questionar seu governo perde por completo a liberdade, achando que a tem; sabendo disso o estado permanece intocável, em toda sua "democracia".
  Somos todos vendidos, o ano inteiro o governo nos compra com futebol, carnaval, São João, bolsa família, bolsa escola, isso e aquilo outro, e nós aceitamos, consentimos com a papagaiada que uma grande maioria gosta de chamar de "democracia", e no fim votamos alegres e satisfeitos, já esquecidos que o Brasil é a quinta maior potência econômica do mundo e não garante saúde e educação básica para a sua população.
  Vivemos anos tão difíceis quanto os da ditadura, por confiarmos o Brasil a um governo que engana nosso povo, corrompe nosso dinheiro e violenta nossa população, porque sim, fome é violência, falta de educação é violência, e das piores. Confiamos o Brasil há um governo que cobra-nos impostos caros, só para encher seus próprios bolsos, e faz isso sem pudor por ter a certeza que nos desarmaram. Esquecemos dos erros que cometemos ao termos (com exceção dos comunistas que assim como a minoria consciente das atrocidades do governo lutou) nos deixado calar uma vez, na longa ditadura de 64. Será que uma só vez não será o suficiente para que aprendamos a lição?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Amanhã

  Discreta, tímida, chega como quem não quer nada, primeiro olha tudo de longe, sorri distante, aproxima-se as vezes só pra depois te deixar novamente, vai e volta, nunca fica de vez, e tu vais acreditando na alegria mesmo tudo sendo sempre igual. Convence-te mil, um milhão de vezes se preciso de que a vida é linda. 
 Até que ela vem, segura tua mão e acompanha-te, sorri enquanto choras sem um pingo compaixão. Logo depois te faz conformada, quando a noite cai ela põe-te para dormir, quando o dia amanhece te acorda com um ríspido bom dia, ao meio dia anda ao teu lado até tua casa. 
  Está nas músicas, nas ruas, nos rostos apressados à caminho do trabalho, está nos livros, está em tudo. Sempre. Está nas fotografias antigas, ainda que estejas sorrindo, e está principalmente enfiada no teu peito, misturada ao teu sangue, injetada sem teu consentimento. 
  No entanto, estais tão cansada de resistir que a abraças, dá as boas vindas, conforma-te, como nunca concordou em fazer. Cansada, deixas tudo para amanhã. Amanhã eu luto, amanhã eu vejo o sol, amanhã eu vou à praia, amanhã quem sabe eu saio um pouco, amanhã eu leio, amanhã sorrio, amanhã estudo. Amanhã é sempre depois de amanhã e depois de amanhã é sempre semana que vem e semana que vem demora meses, anos, muito tempo pra chegar. E entre os amanhãs desta vida, vou me conformando devagar, com essa tristeza suave, doce, dilacerante. Amanhã ela há de passar. 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Yes, we can!

  Tudo isso é tão idiota e massante, esta coisa de fingir que é forte, que pode tudo, que a perfeição mora ao lado e nunca estará distante, de fingir ser muito sábia tendo tantas e tantas dúvidas, e o pior de tudo é quebrar a cara, dar de nariz com a parede que lhe informa que você não pode ultrapassar o muro de uma vez, que na verdade, essa coisa de ser forte não significa carregar o mundo nas costas, e fingir simplesmente que tudo é fácil. 
  Ser forte tem a ver com encarar que você nunca está completamente certo, e que a vida é um eterno aprendizado, tem a ver com encantar, mas deixar-se encantar é ainda mais importante. Tem a ver mais ainda com dividir o peso que se carrega, porque sozinha ele lhe esmaga e dilacera-a tão rapidamente que teus olhos mal poderiam perceber, é sorte nossa ter quem se encante mesmo que não tenhamos demonstrado nos encantar, e nos segure, nos abrace, alguém que nos lembre que por trás da simplicidade  do jasmim existe o cheiro mais doce do mundo. 
  Olhe ao seu redor. Cobre-se menos. Olhe. Olhe mais. Nunca é tarde para notar que a perfeição não passa de uma utopia boba. Você precisa colher as flores do mundo. As mais cheirosas e doces flores. Aquelas, que sempre lhe aguardam com um sorriso, um abraço, e as palavras mais incentivadoras do mundo. Sim. Você é capaz. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Tragédia

  Penas pairavam sobre o ambiente, risos ao fundo, o som vez mais próximo, a imagem se desenhando perfeitamente a cada passo à frente, quando finalmente tudo tornou-se nítido eu parei. Erámos eu e você. E eu nos via, mas eu também vivia. Só que tudo separadamente, ao mesmo tempo que era eu quem ria, eu não fazia parte daquilo, como se eu fosse a narradora observadora da minha própria história. De início eu me perguntei o que tudo aquilo significava, estranhei, é lógico, mas por fim, como uma criança que ao longo do crescimento passa a parar cada vez mais de se questionar, cada vez que eu via mais aquela cena eu aceitava que nunca poderia entendê-la. Apenas analisa-la. 
  O quarto era branco, pequeno, pouco à pouco notei que era na verdade, o meu quarto. Poucos móveis, alguns adornos delicados, vários pôsters dipostos organizadamente em apenas uma das paredes, uma escrivaninha muito útil e estantes de livros abarrotadas cobrindo uma das paredes, havia também um notebook e uma porta que dava para o closet e o banheiro, organizados e arquitetados exatamente como eu desejava. Em cima da cama, havia o novo morador do quarto, tinha acabado de ganha-lo de presente de John. Era lindo e totalmente clichê, igual o cenário, igual a nós, igual a todos os meus pensamentos naquele dia, igual a tudo que passou-se. Chamei-o de Tedd, nome comum aos ursos, pelo menos aos meus, recordo-me de que quando eu era criança todos os meus ursos chamavam-se Tedd.  
   Quanto as penas, provinham todas elas dos meus travesseiros, usados como armas na luta que era travada entre eu e John, meu riso era estridente, o que o fazia cessar a pancadaria (ele batia como uma menininha para não me machucar)  e contorcer-se de rir da minha risada. Confesso, eu rio mesmo muito engraçado. Enquanto ele fazia isso, eu tentava parecer chateada, revirava os olhos, batia o pé, chamava-o de idiota, dava-lhes travesseiradas e por vezes dava-lhes tapinhas de leve. A luta continuava, e nós dois nos divertíamos como nunca. Caímos ao chão, bobos, infantis, idiotas, apaixonados. Vez ou outra nos beijávamos, só pra depois rir de novo de toda a situação, incomum, clichê demais. Tudo era lindo, nós realmente nos gostávamos. 
   De fora, eu encarava aquela cena tentando entendê-la, e pouco à pouco, a memória de algum dia tê-la vivido chegava. Foi quando aconteceu. Tudo caiu sobre mim como uma avalanche, um turbilhão de pensamentos me invadiu, e eu senti as lágrimas correrem, quentes, chocantes, destruidoras. Sentia a dor que queimava de dentro para fora, como se uma fogueira tivesse sido acesa dentro de mim, e me ferisse. Os sentimentos mudavam, a cada segundo que pensava no que havia acontecido. Eu sentia raiva, dor, saudade, não sabia qual mais me machucava. 
   Eu morri. Não posso acreditar que morri. Foi naquele dia lindo, que logo desfez-se em cinzas que tudo aconteceu. Eu estava em casa, mamãe preparava o almoço, John havia descido para pegar chocolate e saciar nossa fome depois da guerra de travesseiros, e meu pai aguava o jardim lá fora. Tudo corria tranquilamente naquele domingo chuvoso de Julho, até acontecer. Por algum motivo, o gás na cozinha começou a vazar, mamãe gritava por mim, mas a música alta em meus ouvidos não permitia-me ouvir, as chamas já haviam tomado a escada, todos tentavam me alcançar de alguma maneira, em pouco tempo, tudo ardia em chamas, e o fogo alcançava meu quarto, Fui até a janela engradada e notei tarde demais que John gritava por mim, desisti antes mesmo de tentar lutar. Tudo queimava e lembro-me de ter sentido uma dor intensa quando o fogo atingiu meu corpo, mas não maior do que a de saber, que tudo o que eu amava perdeu-se no tempo. Aproximei-me de John, o da cena, que atirava-me travesseiros, tentei abraça-lo, mas era como tentar abraçar o vento. Ao invés disso, encarei-o uma última vez. Inspirei fundo, e senti novamente as lágrimas rolarem por meu rosto. Em seguida, fui tomada por um sentimento de foi-bom-viver, para depois voltar a amaldiçoar a morte, e desejar profundo que tudo não passasse de mais um pesadelo. 
   
    

sexta-feira, 9 de março de 2012

You can be strong

  Levanta garota, enxuga essas lágrimas, erga-se, sai do buraco. Você é maior que tudo isso, é bem mais do que tudo isso que pensa. Vamos! Logo! A vida está passando lá fora, e você está perdendo tudo. Apressa esse passo, corre atrás, nem tudo pode estar tão perdido assim que não dê para achar o caminho de volta.
  Eu sei que a vida é cruel, acredite, eu sei muito bem que ela é! Não espera a gente se curar, tem que ser tudo assim, às pressas, ou você corre ou fica para trás, é sempre esse maldito jogo massacrante e igual. Você se sente quase sendo torturada, uma navalhada a cada hora sozinha, uma queimadura nova a cada lágrima quente que derrama, um pisão a cada vez que não aguenta o peso do próprio corpo e cai ao chão, veja bem, eu sei que ninguém liga.
  Mas você realmente precisa sair dessa. Vamos meu doce, eu sei que escondida nessas bochechas existem duas covinhas, que desabrocharão assim que você sorrir, vamos lá! Eu sei também que existe mais do que só toda essa dor e mágoa, existe toda a doçura, que misturada com a vida, poderia transformar o que é amargo, numa deliciosa caramelada. Oh meu bem, não ligue. Não se importe se as pessoas não se importam com você, elas simplesmente não sabem como não machucar. 
  Creia, tudo passa. Tudo passa. Tudo sempre passa. E você já encarou piores, nade, nade com vontade, nenhuma corrente é tão forte que não se tenha chance de nadar, e as chances de acertar nunca serão nulas desde nós estejamos vivos, e nós estamos, bem aqui. Carne, osso e sentimento. Você é tão inteligente, todos dizem, eu sei que pode, oh, eu tenho certeza que você pode. Agora, colha os cacos de si que espalharam-se, cole tudo com o belo pote de força que eu sei que existe em você, e sorri, muito, de verdade. Sente a mudança? Eu já posso sentir!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval

Máscaras, confetes, serpentinas, as mais diversas fantasias, é carnaval! 
Raiou o dia, raios de sol coloridos, alegria, alegria! 
Nos corredores de Olinda, o frevo se encarrega de carregar a multidão que canta, pula, é hora de frevar! 
A noite, vou guiada pelo brilho da lua, Recife que me aguarde, o frevo não tem hora pra acabar! 
Alceu, Elba, Lenine, Spok, tá todo mundo lá! 
Que toquem as marchinhas, o frevo canção, o maracatu, o caboclinho e não perquemos a tradição! 
A  multidão encantada, inebriada, e por que não dizer apaixonada? 
Apaixonada sim senhor! 
O carnaval de pernambuco, respira, inspira, transpira amor! 
Amor não só, amor e orgulho. 
Orgulho por poder dizer que aqui nós temos o melhor carnaval do mundo! 
O galo já cantou. 
O homem da meia noite passou. 
A quarta-feira chegou, ingrata, querendo calar o frevo, cortar a brincadeira. 
Em cinzas, desfez-se meu carnaval, e em alegria, se fará um novo, de novo. 
Faltam trezentos e cinquenta e três dias, e até lá hei de esperar. 
Ano que vem, vou empunhar a sombrinha, vestir a fantasia, e sentir o frevo me carregar.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

O cálculo matemático

  E então eu esqueço-me que o amor não é cálculo matemático, que não é fórmula, não é equação, não é exato, e muito menos prático demais. Eu esqueço-me porque quero, me entrego a este esquecimento, eu me derramo, me lambuzo, me banho. O amor não passa de um cálculo, eu me convenço, ou tento, não sei se consigo. 
  Eu quero calcular, quero ver-me no controle de tudo, tomar as rédeas, conduzir a carruagem, não quero permitir-me não saber do que vem, mas, quero que permitam-se, que venham, que a vida traga, e eu tenho que saber, com urgência, com essa sede de controlar, de fazer estar tudo em seu curso, sede de saber, saber até do que não posso. É tudo um cálculo convenço-me, mil, um milhão de vezes, quantas  mostrar-se necessário. Meu cérebro concorda, ele ajuda, contribui, meu coração não, ele quer que eu deixe-me levar, que eu sinta. 
  " Feche os olhos. " - sussurra, e eu estou tentada a fazê-lo. 
  " Feche os olhos como quem sente a brisa fresca, como quem ouve a melodia mais suave, como quem vai dormir, aquele sono de criança, como quem sonha, sonhe criança, sonhe."- Ele repete, incansável, irredutível. 
  Começo a imaginar, brisa leve, cheiro doce, sol se pondo, tudo ao meu redor agora é inebriante. O amor chegou, andorinhas anunciam a força com que ele vem, a areia branca, quase neve escoa pelos dedos das mãos, tudo é lindo. Imagino como seria nós, seria bonito eu acho, meu pensamento é mais clichê que isso para lhes ser sincera, nos completaríamos. Como as últimas peças de um quebra-cabeça, aquelas que a gente demora mais pra encaixar, essas aí. Que talvez nunca se encaixem. 
  Não me permito ir adiante, eu nego o amor, nego o que não sei, desconheço, porque temo que não dará mais certo, a partir de agora, só pensarei no que me é palpável. O amor faz isso, passamos a imaginar como tudo seria, a sonhar demais, pensar demais, sentir demais. Repito milhões de vezes, de novo e de novo, que é pra não deixar-me cair em tentação: O amor é um cálculo matemático(será mesmo?), cálculos não se imaginam, o MEU AMOR é um cálculo matemático. Tudo volta a ser eu, assim, cheia dessas dúvidas traidoras, cálculos não resolvidos e deslizes, entregas ao que encanta, e logo em seguida retornos ao exato, prático, real, tudo isso só porque o que encanta pode desencantar também.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Top 10

Raul Seixas - Maluco Beleza



Zé Ramalho - Batendo na porta do céu  


O tempo não para - Cazuza 
  


Guns N' Roses - November Rain 
 



Oasis - Wonderwall
 



The Beatles - Something 
 



Extreme - More Than Words 
 



Cover de Chico Buarque/ Elis Regina - Tatuagem  



Pink Floyd -Stay
  



Bon Jovi - Always
 


Júlia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um toque de ironia

  Vamos alimentar toda hipocrisia, toda violência, crueldade, desamor! Vamos rir, gargalhar, rolar no chão porque o mundo tá de cabeça pra baixo, os valores tão invertidos; guerras são travadas em nome de Deus, e nós continuamos praticando a boa e velha arte de ignorar! IGNORAR É O QUE HÁ. 
  Liguemos as televisões, rápido, o que estamos esperando? Afinal, toda hora é hora de consumir cultura inútil. Consumir tudo que a TV nos empurra, sem filtro seletivo, é a arte de se alienar! Vamos alimentar a futilidade, desenvolver os músculos, colocar silicone, viver de plástica, porque inteligência hoje em dia não tá valendo de nada! E os livros? Que grande perda de tempo, o que fazem eles se não nos instriur com vocabulário, conhecimento, coisas novas, novos horizontes, o que fazem eles além disso? Grande bosta. 
  Com a TV eu aprendo que o bom é ser gostoso, ter a barriga mais sarada, que é pra pegar mais mulheres, deixar elas impressionadas, claro que não pelo que eu penso, faço, leio, estudo ou escuto. É pelo abdômen que eu tenho, pelos meus bíceps. Os políticos andam roubando, quem se importa, quem liga? Claro que ninguém, afinal de contas, é nosso dinheiro; que por sinal era pra ser aplicado com sáude, educação, boas condições de vida, no entanto, nós não temos nada disso. Quer dizer, os pobres não tem, nós burgueses temos, portanto pra nós tanto faz, somos egoístas mesmo, mesquinhos, e daí?  
  Florestas são derrubadas, episódios tristes de violência parecem tentar nos tocar, as pessoas dizem que a água vai acabar. Eu nem ligo, sabe por quê? Eu estou vendo futebol, é claro, por que diabos mesmo eu ia parar meu jogo pra me preocupar com essas besteiras? É tudo balela, eu nem ligo, não ligo mesmo. 
  Meus pais me pedem pra estudar, que droga! Estudar pra quê? Quero ser jogador de futebol! O Neymar ganha milhões, tá certo que ele parece ter merda na cabeça, mas, quem liga? Ele tem mulher bunduda, carrão e roupa de marca! Burro é quem estuda, vê os professores, estudando que só pra ganhar essa merraca de salário. Gente irracional é um caso sério. Estou te dizendo, é por isso que o Brasil não vai pra frente!  

ATENÇÃO, PARA OS QUE NÃO ENTENDERAM ( QUE NA VERDADE É MEIO DIFÍCIL, ATÉ COM BASE DA PROPOSTA APRESENTADA PELO BLOG) ESTE TEXTO ABUSA DA IRONIA PARA CRITICAR COMO A NOSSA SOCIEDADE TEM PENSADO E AGIDO DIANTE DOS PROBLEMAS QUE TEMOS QUE ENFRENTAR. AH, E O EU LÍRICO É UM HOMEM, MAS NÃO FOI COM A MENOR INTENÇÃO DE DIZER QUE HOMENS SÃO MAIS FÚTEIS, ACONTECEU DE EU IR ESCREVENDO E SAIR ISSO, O NÍVEL DE FUTILIDADE DAS MULHERES, POR VEZES CHEGA A SER MAIOR QUE O DOS HOMENS.

Júlia.                                                                                                                                       

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tudo é novo, mas continua exatamente igual

  2012 iniciou-se, nada de comemorar até que o primeiro amanhecer do ano acontecesse, pouca música, pouca dança, pouca farra, só exatamente mais do mesmo. Só aqueles mesmos abraços distribuidos por toda a família, e a risalhada a noite inteira numa mesa à beira-mar, fogos pra lá, fogos pra cá, nada é divertido como haveria de ser. Afinal, o ano é novo, poderíamos mudar toda essa monotonia de sempre, não? Acho que a resposta é não. Não enquanto eu for uma adolescente sem poder de decisão. 
  No entanto, embora tudo esteja(não pareça, porque realmente está) igual, sinto-me incrivelmente, felizmente, diferente. Meus olhos brilham, quando encaram a mesma velha lua, meu sorriso engrandece quando abraço as mesmas pessoas, minha mente voa, e eu sinto como se estivesse tudo perfeito, tudo novo, deixo passar a sensação de falta de quem segure na minha cintura para assistir a queima de fogos acontecer, a transformo em boa, porque um dia isso acontecerá. Um dia. E nem tem que ser agora, estou satisfeita. 
   Não quero pensar nos meses seguintes, e embora eu ande fazendo as mesmas coisas que já fiz milhões de vezes, tenho me sentido alegre em fazê-las. Tá tudo bem, os dias tem que ser iguais para que saibamos valorizar quando forem realmente especiais, enquanto não são a gente sorri, a gente compreende, se entristece, mas não se deixa abater, não perde o sorriso, a postura, a esperança. As coisas acontecem. Um dia haverão de acontecer. 
 E eu sigo, mudando, aceitando, decidindo, fazendo tudo igual ou tomando rumos desconhecidos, sem medo de sofrer, de quebrar a cara, de ter de voltar, de descobrir que não é o que pensei, eu já sofri, já temi, eu temo ainda, muitas coisas, mas, aprendi que quem não sofre não é feliz, que quem segue chega, que quem erra aprende, que um dia, tudo acontece. Sem mais delongas, tô feliz, dispensando a dor, crendo no amor, abrançando a paz e vivendo um dia de cada vez. A felicidade anda lado à lado com a tristeza, e só agora eu percebi que só se entende uma, tendo vivido a outra. Chego a conclusão, só se é feliz sabendo a importância da tristeza. Aprendendo a fazer dela o caminho para a felicidade.