sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cheiro de cadáver

   Há tempos tento falar, gritar, esbravejar, verbalizar e dramatizar o que a também certo tempo venho sentido, pensado, sofrido, evitado, esmagado por pequenas distrações, sorrisos forçados e expressão desprendida. Eu não te amo. E eu não gosto de você(é o que eu espero). E a verdade é que nem amigos fomos capazes de ser. E por favor, que porra é esta que somos? Por ti eu não posso falar muito, mas, eu não passo de uma hipócrita quando conversamos, e eu detesto-me por isso, eu detesto minha própria hipocrisia ao fingir que está tudo resolvido, morto, enterrado, esquecido, como uma dessas lembranças perdidas no tempo. Por que não admitir que o cadáver do que éramos ou podíamos ser tem fedido muito por esses tempos? 
  Desculpe minha indelicadeza, revolta, mal educação ou o que quer que tu queiras chamar, mas, é um cadáver. Um zumbi, um morto-vivo, um pesadelo, uma sombra e me atormenta. Não sinto como se tivesse havido um ponto final, só um eterno reticências na pior parte da história. Nada de ponto final, a decisão é por maltratarmo-nos, ou pelo menos maltratar só a mim, já que minha decisão foi falar apenas pelo que sinto. Detesto hipocrisia. Só que me tornei uma hipócrita desde de que tu foste hipócrita comigo, e talvez, eu não sei, contigo mesmo. 
  Gosto de verdades. Por mais que duras, quero verdades. Não senti a tua, em nenhum instante, e a minha menos ainda. Nada de sentimentos nús ou de verdades arrogantes, só o que cabia ser dito para evitar que eu sofresse. Eu disse-te que estava tudo certo quando tudo deu errado. Como pude? Eu deveria saber que reticências é fim de conto de fadas, a vida, eu e você, e tudo o que é palpável termina com ponto final. 
   Posso te evitar, não acho justo, já que nada sabes, mas posso. Eu também posso te contar o que me corrói. Mas, o detalhe é que meu orgulho corrói mais ainda. Gostaria de saber também se não sabes o que dizes, isto mesmo, sabes? Saudade - o que disseste sentir por mim - é precisamente uma melancolia suave de uma pessoa, momento ou coisa. E dizer que sentes falta de mim, implica-me sofrimento, e remete a tua hipocrisia que disfarças de ti mesmo. Ela existe. Em mim, em você, e finalmente em nós. Sigo sem ela, quando eu conseguir subestituir as reticências. Entenda, só quero provar a mim mesma que sou capaz de não sentir tua falta ou até mesmo não sorrir ao lembrar de nós se este maldito fedor de cadáver passar, e de redigir finalmente meu ponto final. Quero passar para um novo capítulo. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nós

   Preciso das tuas palavras que fariam eu me sentir linda, embora eu não seja, me sentir doce e meiga, embora eu também não o seja, me sentir uma princesa, bem como tu costumavas me chamar, gostava da maneira como pouco à pouco tu desenhavas essa minha esquisitisse como minha maior qualidade, eu me sentia exótica, porque assim soava mais bonito que esquisita. Gostava da forma curiosa como teus olhos, à tua maneira, eram meu maior incentivo para mostrar-me exatamente louca, diferente, da maneira que provavelmente eu não me mostraria caso quisesse impressionar alguém. 
  Preciso com urgência das tuas palavras, teus consolos abobalhados, e discurssões tolas que faziam eu me sentir especial, ainda que eu não fosse. Não sei o que era, mas só você conseguia. Eu sempre, em todos os meus maiores problemas e tormentos fui inconsolável, só que com você era diferente, porque não soava como um consolo, como algo que se diz na urgência do momento, na obrigação de se levantar o astral. Era algo leve como uma pluma, e sincero como um sorriso de criança, tu acreditavas no que dizias, ou pelo menos parecias acreditar, em cada sílaba havia verdade, e havia também uma paz que eu necessitava como uma leoa faminta. 
  No entanto eu não sei por onde  andas, nem sei com quem andas, não me leve a mal, também não quero parecer possessiva. Longe de mim. Só sinto falta do nós, que nunca chegou a ser nós de verdade. Sinto falta do teus beijos, abraços, sorrisos irradiantes, conversas da madrugada que duravam até que o crepúsculo nos pusesse na cama, e em despedidas relutantes nós dissessémos adeus. Sinto falta. É só isso que digo desde de que nos afastamos, nos desconhecemos, desde de que matamos o nosso possível nós.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sobre música

  "Em vez de falar 'o que é amor' , eu digo ' Quem me dera ao menos uma vez! Esquecer que acreditei que era por brincadeira! Que se cortava sempre um pano de chão! De linha nobre e pura seda' . Ora, tem gente que não vai querer ouvir isso. Tem gente que quer ouvir solidão que rima com paixão e amor com dor. No fundo eu gosto de todo mundo. Só não gosto quando vira moda. Teve um tempo em que o brega era moda - detestava isso. Moda não é por aí. Não deve existir moda em música. Moda é uma linguagem de roupa. Música é uma coisa muito subjetiva e não pode ser categorizada como moda." 

Renato Russo 


Limite Branco

  " (...) Frequentemente me assusto, pensando que a vida vai acabar sem que eu encontre um grande amor ou uma grande amizade, ou mesmo uma grande vocação que justifique esse isolamento. Mas nada posso fazer, essas coisa acontecem sem que a gente as procure. O melhor a fazer é deixar "lavrado o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar", como disse o poeta. E mesmo assim talvez eu continue a fazer as refeições sozinho durante toda a vida. 
   Muitas vezes tentei dizer essas coisas às pessoas. É tão difícil. Se elas são adultas, o que fazem é sorrir meio de lado, como quem diz: "Mas isso faz parte do jogo." E se são da minha idade, me olham com um olhar onde se reflete meu próprio desamparo, dizendo palavras que a minha voz também poderia pronunciar. É assim com Marlene. Foi assim com Bruno. Só agora sinto que as minhas asas era maiores que as dele, e que ele se contentava com os ares baixos; eu queria grandes espaços, amplitudes azuis onde meus olhos pudessem se perder e meu corpo pudesse se espojar sem medo nenhum. Queria e quero - ainda. Voar junto com alguém, não sozinho. Mas todos me parecem tão fracos, tão assustados e incapazes de ir muito longe. Talvez eu me engane, e minhas asas sejam bem mais frágeis que meu ímpeto. Mas se forem como imagino, talvez esteja fadado à solidão. 
  Quando escrevo poesia, é sobre isso que escrevo: o medo da solidão como sina. E vivo a lavrar o campo, a limpar a casa, a colocar as coisas nos seus lugares certos; só que o que eu espero é a Desejada não a Indesejada. Espero a Vida, não a Morte. Não sei se virá. E não sei se apenas por estar dentro dela, isso significa que ela esteja em nós, em mim. 
   Estou me repetindo, dizendo mil vezes a mesma coisa. No fundo, há só uma verdade: me sinto só. Talvez seja essa a causa dos meus males. Ou será o desconhecimento do que sou, como escrevi ontem? O que sei é que as coisas que preocupam podem ser resumidas em poucas palavras: Deus, solidão. E no fundo, o que existe sou eu. Como um grande ponto de  interrogação sem resposta." 

Caio Fernando Abreu - Limite Branco

PS: Trecho retirado do primeiro romance escrito por Caio, chamado Limite Branco, um livro excelente, apesar de não ser considerado um dos melhores do escritor, super recomendo essa leitura. Dado que, foi o primeiro que li desse autor, e bom, eu adorei. Não o indico para os que buscam coisas fofas, o livro é sobre monotonia, solidão e essas coisas assim. E também contra-indico para quem vive lendo frases de Caio porque "tá na moda". Literatura não pode ser considerado moda. É um livro, uma preciosidade, não uma roupa de marca que você compra e quando saí de moda para de usar, então, deixo o meu vai se fuder se você gosta do Caio porque "tá na moda" e é fofinho. Para quem quer mesmo é conhecer sua obra, vá em frente! É um excelente livro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fé, força e um doce recomeço

  Caminhava com certa desatenção pela praça um tanto quanto monótona, pelo chão, folhas alaranjadas marcavam a chegada da estação que eu considerava mais triste, apesar disso, tinha um carinho oculto pelo outono, não sei ao certo, mas ele quase me parece um recomeço, não, acho que ainda não é bem isso. É o fato de ele mostrar toda a dureza de um recomeço, entendes? 
  Aquelas árvores sem flores, quase parecendo desesperançadas, como se quase se entregassem aquela angústia crescente, à medida que mudavam, que suas folhas caiam, que as feridas mais internas latejavam e alegria que antes demostravam se esvaia juntamente com suas folhas, e as incertezas gritantes de que algo desse certo se faziam cada vez mais presentes, a quase descrença de que realmente se pudesse recomeçar, mas, ainda assim, ele era contínuo, resistente, insistente, até o último segundo, onde esbanjaria sua vitória, ó como era admirável o tal do outono.
   Em toda sua monotonia e completa feiura, ele ainda era lindo. Fé e força. Que haja fé, e que haja força, e que depois de todas as nossas lutas, angústias e longos outonos, ainda possamos sorrir com orgulho e dizer: Recomecei, venci. E que sejam doces e gloriosas essas nossas vitórias! 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

True

A verdade é que metade dos meus pensamentos estão pensando em não pensar em você, e a outra metade, se esforça pra lembrar de como era antes de nós nos parecermos desconhecidos.



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

More than words

  Não consigo mais olhar tua foto, como também não consigo mais preencher minha cabeça com qualquer coisa que não me lembre você, tudo, absolutamente tudo, trás uma lembrança tua, ainda que meio distante... Não é que eu te ame. Não, eu não amo. É só que eu sei o quanto vai fazer falta aquelas conversas meio vazias que tínhamos, lembro-me que elas preenchiam tudo, porque era naqueles vazios insignificantes que nós nos entendíamos, a inutilidade de quase todas as perguntas que nos fazíamos, era exatamente ali que nós erámos nós. 
  É só que nos meus pensamentos o que tinhamos não seria algo passageiro, e nossos sorrisos tímidos ainda repuxariam-se levemente no canto de nossas bocas quando nos olhassemos, e nosso olhar, ainda seria intenso e contínuo, apesar de extremamente misterioso e pouco revelador. 
  Confesso que já te culpei bastante, e em meus pensamentos, já te matei diversas vezes por ter acabado com essa minha fantasia meio boba, de que embora misterioso, o futuro guardava coisas boas pra nós dois juntos. O que eu esqueci de fazer presente foi que fantasias, não passam de fantasias, e elas permanecem sempre irreais. E ainda que belas, não concretizam-se na realidade que eu gostaria que fosse. 
  Me pegaste de surpresa, confesso. E não sei ao certo quando vou me acostumar a ser tratada como qualquer outra. Lembro-me que em um passado não tão distante, tu me dirias que eu não era qualquer outra, talvez fosse só da boca para fora, não sei bem. Antes, o que na verdade é bem pouco tempo, mas que parece mais uma eternidade, eu teria certeza de que sabia bastante sobre você, mas, bem, as coisas não são iguais quando todas as tuas atitudes te fizeram irreconhecível. Não sei o que esperava, na verdade, talvez a culpa tenha sido minha em não prever, estavas certo quando disseste que escondia muito bem teus sentimentos, enganada estava eu, que achei te conhecer o suficiente para ler teus sinais, bem que podias, neste caso, me deixar lê-los pouco à pouco, em vez de me apunhalar de repente, com a notícia breve de que partirias.
   Pois bem, como muito bem colocou meu ilustre Caio Fernando: "Odeio circo. Aliás, odeio tudo que me encanta e vai embora." Talvez dizer mais alguma coisa seja desnecessário, e ainda mais humilhante. Mas, foda-se, direi assim mesmo, talvez não tenha havido tempo, de eu dizer-te o quanto odeio contos, histórias curtas (embora as escreva de montes), que nos encantam, e no melhor de tudo tem fim, minha maior decepção é ter recebido um conto de presente teu, com um final tão repentino, que mal pude perceber que já chegava ao fim. Como disse, não te culpo, mesmo porque não me disseste teus motivos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Piegas

   Quase não tive tempo de me assustar com tamanha a rapidez em que ele invadiu o vestiário feminino, pra sua sorte, e talvez meu azar, havia apenas eu no vestiário. Virei-me para olhar em seus olhos, com olhar mais penetrante e incômodo que consegui transmiti, ergui as sobrancelhas em desdém, e esperei que ele se explicasse. 
    " Acho que entrei no banheiro errado. Desculpe" 
   Tudo bem. Talvez eu tivesse mesmo cara de idiota, mas, não era, usei de meu mais arrogante tom de voz e da maior grosseria possível. 
    " Espera que eu acredite mesmo que não viu a placa totalmente legível que há na porta?" 
    " Sim, era o que eu esperava." - Ele respondeu sem hesitar, aquilo me irritou ainda mais. 
    " Acho que você dirá o mesmo quando for suspenso por invadir o banheiro feminino e ainda fazer gracinhas." - Respondi no mesmo instante 
   " Acho que não. Quem contaria? Paredes não falam, e bom, não vejo alguém que possa contar dessa minha pequena aventura."  
    " Talvez você precise ser menos convencido, saiba que eu contarei, e a propósito, qual seu nome?"  
     " Arthur. Qual o seu? " 
     " Não lhe interessa." - Respondi, ainda em total arrogância. 
     " Soaria muito clichê se eu fizesse gracinhas sobre essa sua resposta?" - Ele carregava um sorriso leve e debochado no rosto, a expressão tranquila e despreocupada, quase sedutora. 
     " Na verdade soaria. Meu nome é Sara." 
     " Achei que você achasse que não me interessava, embora também tenha achado bastante interessante saber como se chama." - Ele tinha as mãos no bolso da calça surrada, e agora estava mais próximo. 
   " Hm. Ótimo, ainda assim direi ao diretor. Mas, porque mesmo você entrou aqui? Não presuma que isso seja um elogio, mas, você não me parece ser um desses idiotas que entram para dá uma de machão e arrancar gritinhos das garotas, e também seria um completo aloprado se não visse a placa. " 
      " Eu podia ser aloprado, idiota também, mas, na verdade me disseram que você não sairia daqui tão cedo, e eu lembrei que prometi que lhe encontraria onde você estivesse." - Ele sorriu ainda mais, e seus olhos suplicavam por reconhecimento. Meu reconhecimento? Pouco à pouco os traços passaram a tornarem-se familiares, permanecemos calados, olhei novamente em seus olhos, com mais atenção, lembrei que alguém algum dia me disse que os olhos eram a porta da alma, não lembrava quem... Era penetrante o seu olhar, e assim que me atentei de verdade à eles, me vi invadida por uma alegria súbita, senti cair todo meu desprezo, minha boca se repuxou num sorriso que agora brincava em meus lábios. Era ele. 
   Nem que passassem-se um milhão de anos, eu reconheceria aquele olhar, ainda mais subitamente, lembrei quem havia me dito que os olhos eram a porta da alma. 
     " O que eu devo dizer? " - Eu tropeçava nas palavras, e sentia as lágrimas correrem. 
     " Se for sincero, gostaria que me disseste, doce Sara, que o nosso amor ainda vive, mesmo depois de todos os ventos contrários, anos passados, meus erros, seus erros, mesmo depois de tudo." 
      " Mesmo que eu desejasse eu não podia te dizer o contrário." 
    Seus lábios encostaram os meus, leves, gentis. Seleram novamente um amor que houvera sido contido, eu estava pronta, ele também, nos amavámos, o que temeríamos? Os amores verdadeiros duram para sempre. Me prendi nessas palavras, e quis acreditar com todo o meu ser, eu nunca saberia se não tentasse.
       
  
       

   

Fotografias recortadas em jornais de folhas

    Essa dor que cresce e consome, essa saudade que queima, arde, espalha-se, tal qual fogo em gasolina, essa saudade que quase me derruba de tão dolorosa, essa vontade de te trazer de volta, e de te dizer mil coisas que eu não disse, de dar-te um último abraço, vontade de suplicar que tu voltes, ou que tu me apareças, de reclamar satisfações tuas, foste embora tão de repente, que por um tempo, eu quase não percebi, eu estava tão anestesiada com toda tua vontade de viver (ou talvez minha vontade de te ter vivo), que permaneceste vivo por esse tempo todo. E eu mal percebi, que há muito tempo era tarde demais para eu te dizer qualquer coisa, para eu te pedir qualquer coisa. 
   Lembro-me bem do quão eu era pequena, boba, inocente, tão feliz... Coisa da infância mesmo, eu só lamento ter sido tão pequena a ponto de não aproveitar o que me oferecias para muito além de todas aquelas brincadeiras que fazias, lembra? Eu gostava tanto daquelas brincadeiras... Lembro também que eu não dizia o quanto gostava delas, lamento, eu deveria mesmo ter te dito. Sinto tua falta agora, sinto falta de toda aquela alegria, sinto falta do que não pudemos viver juntos por eu ser pequena demais. Sinto também por nunca ter dito que te amava. Muito. Sinto por perceber isso tarde demais, bem depois que fostes embora. É só que naquele tamanho, eu não entendia muito bem o que era eu te amo, eu nem entendia muito bem o por que que as pessoas tinham que partir, e sinceramente, eu nem achava possível que tu pudesses partir, tinham me ensinado que as pessoas morriam quando estavam velhinhas, fracas e que elas iam então, morar com papai do céu. 
   Perdoe minha inocência, gostaria de saber que tu irias cedo demais. Droga. Eu deveria saber, os bons morrem cedo, só hoje eu sei. Enquanto isso, a saudade ainda aperta meu peito, e as lágrimas banham a minha face num desejo enorme de ouvir tua voz, gosto de pensar que tu me escutas chorar, e então eu tento sorrir, e pensar que tu estais na verdade, rindo dessa minha bobagem. Sabe, eu caio no riso quando penso nisso, vem aquele desejo súbito de poder te ver de qualquer jeito, de voltar no tempo, concertar as coisas, dizer o que não disse, fazer o não fizemos, te dizer pra ficar, te proteger, e suplicar milhões de vezes para que não foste tão cedo, de dizer o quanto tu fazes falta, de dizer o quanto esse abismo escuro e desesperançoso que nos separa é tão cruel, só digo-te em orações, pensamentos, e minhas lágrimas, e fico aqui na esperança de que me escutes, me entenda, me responda, me acalme... 
   Não sei quanto tempo vamos ficar sem nos ver, talvez pra sempre, talvez nos vejamos amanhã, talvez há alguns anos, mas, seja o tempo que for, é muito, e me dói tanto essa cruel incerteza. Nada é como antes, e ninguém estampa o mesmo sorriso no rosto, ainda que saibamos que estais por perto, é tão difícil sem nos falarmos... Principalmente quando há tanta coisa pra ser dita.

Qual o melhor sistema?

   Com a proximidade das eleições, nasce também a preocupação com os eleitos, num governo onde comumente encontramos corruptos, políticos sem cumprir promessas e tantos outros problemas neste mesmo meio, se somarmos tudo isso a um país que necessita de bons representantes, constrói-se gradativamente o lamentável cenário político brasileiro, esse talvez seja, um dos maiores problemas que enfrentamos. E a principal pergunta a que chegamos é: Como tornar nosso sistema eleitoral justo? E principalmente como facilitar, para que possamos ser eleitores mais eficientes? E ainda, o quesito mais difícil de todos: Como incitar a pesquisa dos eleitores, e aproximá-los cada vez mais de quem elege e do círculo político?
     É incontestável a necessidade de mudanças no sistema de votação brasileiro, e para tanto é necessário uma avaliação cuidadosa sobre os dois tipos propostos. Tanto o proporcional misto, que defende que os eleitores devem votar duas vezes, a primeira vez numa lista de candidatos de um partido de sua escolha, tal lista seria escolhida em votação secreta por filiados e convencionais do partido, e um segundo voto que seria num candidato de sua preferência. Já o distrital, defende a divisão do país em distritos eleitorais, e a cada distrito seria eleito um candidato, reduzindo a quantidade de candidatos e o custo de campanha, já que, haveria uma redução significativa no espaço em que ela seria feita.
   O melhor modelo para o sistema de votação brasileira, sem dúvidas, seria o proporcional misto, já que o distrital evidentemente beneficiaria os partidos com um maior poder aquisitivo, assim, com a redução da área a ser feita campanha os demais partidos seriam indiretamente excluídos do processo de eleição, prevaleceria então o poder aquisitivo dos partidos apoiados por elites econômicas, não deixando possibilidades para os ideólogos com bem menos poder aquisitivo, a câmara seria formada por uma minoria poderosa financeiramente, e o sistema de votação partiria desse para um muito pior, onde só seriam eleitos os detentores do capital suficiente para pagar suas campanhas, agora, devido à abrangência de apenas um distrito, em vez de todo o país, incrivelmente facilitadas.
    Se o maior problema que enfrentamos hoje são nossos representantes no governo, este problema nasce no ato de eleger, e na instrução de quem os elegem. Acordemos! Grande parte das pessoas não deixa de pesquisar o passado dos candidatos só porque é inviável devido à grande quantidade deles, é também, mas, o verdadeiro problema que enfrentamos é a distância entre eleitores e candidatos e a falta de instrução política da sociedade, o voto distrital, nesse quesito que diz respeito à aproximação de eleitor e candidato, é impraticável, os partidos grandes continuarão exercendo seu poder de campanha e convencendo os não instruídos politicamente e os não instruídos continuarão despreocupados em instruírem-se.
    O proporcional misto revela-se o melhor modelo, pela aproximação que ele faz entre candidato e eleitor, esta aproximação ocorre através da escolha de um partido e da lista preordenada, este tipo de voto, exige a participação do eleitor junto a um partido e indiscutivelmente aproxima-o do meio político, e é exatamente neste meio que haverá a instrução do eleitor, eleitores mais instruídos elegem melhores representantes, o segundo voto, ainda dá a liberdade dele escolher um representante à seu critério, o sistema proporcional misto além de aproximar o eleitor do círculo político não estabelece nenhum risco de favorecer ainda mais os partidos com maior poder aquisitivo, já que, não preestabelece divisão do país em distritos, não havendo a redução do espaço de campanha. O sistema de votação proporcional misto é sem dúvida a resolução de grande parte dos problemas que encontramos em nosso sistema político atual, enquanto o sistema distrital só pioraria a situação política brasileira

*Escrevi essa redação para um concurso da UOL, acabei perdendo o prazo de envio da redação para o site, e decidi postá-la aqui, já que é um assunto de extrema importância. Os que tiverem interesse, podem até fazer maiores pesquisas sobre ambos os sistemas.*

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Deveras clichê

  Meus sentimentos eram misturados, e as lembranças, todas elas, caiam sobre minha mente esmagando o que ainda restava de minha razão, o que eu sentia era algo tão irremediável, tão irrevogável, que invadiam todo meu ser tomando até mesmo minha voz, apenas parecia permanecer em mim, lágrimas, e de minha alma, apenas teriam restado dolorosas feridas.          
   Sorri. Acreditem, nesse momento eu sorri. Porque, eu não sei bem ao certo, apenas ocorreu-me uma feliz lembrança, de apenas um sorriso, olhos misteriosos e incrivelmente negros, ó como eram doces e encantadores aqueles olhos imprenetráveis. Eles observavam-me, de perto, muito  perto, naquele segundo, palavra nenhuma ouvia-se, nenhum murmuro curioso de alguém que me olhava, eram apenas, eu e ele. O dono do olhar. Do sorriso, da alegria, do mistério, da frieza, de parte de meu coração, e fonte de minha tristeza. Podia culpa-lo, sim eu podia, mas, pelo quê? Por estar apaixonada, por amá-lo? Não seria isso uma alegria? Talvez sim. Enquanto ele me olhasse, e enquanto ele sorrisse, enquanto ele me abraçasse, ele falasse, fizesse-me companhia e não me ignorasse. Depois disso eu era infeliz. E era infeliz sozinha, em silêncio, discretamente, ocultamente, e vários outros adjetivos que eu poderia dar para isso que carrego. 
   Será o amor sempre assim? Luminoso, inspirador, lindo, findável ou infindável, sei lá, mas será que neste pacote, se é que assim chamaremos tão mistura de sentimentos, sempre virá uma pitada, ainda que pequena, de tristeza? Penso que sim, embora parte de mim deseje que não, embora todo o meu ser deseje que não, para ser mais exata. Fico pensando, essa dor, surge pela falta, e falta, surge do amor, e o amor é o doce dos olhos seus, é o leve sorriso que paira entre nossas bocas ainda que não saibamos o motivo dele estar ali, é o som da tua voz, a forma como ela soa delicada, admirável aos meus ouvidos, é o leve toque, e a imprevisibilidade do teu próximo passo, é o silêncio que permanece num segundo de constrangimento, até que nossos olhos se cruzem e que nossas bocas se repuxem num sorriso, ah, como eu amo isso, e o como eu o amo.

Quase me perdi nessa minha oscilação entre o quase tudo, e o quase nada

Quase nada me agrada, e tudo parece ter um gosto de resto de chocolate que nunca é suficiente pra te saciar, eu sorrio mas é algo tão mecânico que chega a ser  enjoativo, afogo-me num silêncio doce que poderia aliviar alguma coisa e não me alivia quase nada, permaneço no quase. Quase apaixonada, quase feliz, quase sorrindo, quase chorando, quase, quase, quase, quase.
   Ecoam palavras em minha mente, e, eu sinto que quando as pessoas falam, não é da mesma maneira que antes, é quase como se suas palavras não passassem de palavras soltas e sem significado numa folha onde nunca deveriam estar escritas, e eu lhes respondo qualquer coisa, para que meu também quase silêncio não seja atrapalhado. Sou quase nada, posso quase tudo, e talvez também possa dizer que não hajo quase nada. E isso tudo me atordoa, esse meu quase silêncio também.
   E eu grito, podes me ouvir gritar ? Talvez não, é um grito que ecoa no fundo da alma, um grito tão meu, tão oculto, tão sucumbido em alguma entranha do que sou, que ninguém escuta, só eu. E ele assuta, e cala minha voz que canta, afim de tentar espantar meus próprios fantasmas, malditos sejam meus fantasmas, gostava muito mais do eco de minha voz chorosa que canta alto, do que meu grito assustador e silencioso, dores da alma doem tanto.

Vida real



Pois é, encaremos nossa realidade, e não sejamos hipócritas à ponto de fechar os olhos para esses absurdos, a maior culpa nisso tudo é nossa, que permanecemos calados diante desses absurdos, e pior, ainda contribuimos com eles. Assitam, reflitam e repassem.

Revelem-se

   Revelem-se mais simples. Revelem-se menos inexatos, menos confusos, menos ávidos por me fazer chorar, revelem-se, só isso bastaria. Parece que não mais suportarei essa torrente de sentimentos que me invade de repente me toma numa avalanche de coisas que não posso traduzir.
     Elas simplesmente vêm. Como vem o sol ao fim de novembro, como vem a brisa doce do verão. Empurradas, por coisas, atitudes, pessoas que às vezes eu nem pareço realmente conhecer. Geralmente tenho me perdido no que escrevo, acho que isso se deve ao fato de eu me perder no que eu sou. Talvez eu ainda não me conheça, não sei ao certo o que isso significa, na verdade, não sei ao certo o que várias coisas significam.
     De uma coisa tenho certeza, quando toda esta torrente de sentimentos me vem, quando todo este desespero cego me toma, e quando todas as pessoas que conheço não me parecem ser mais as mesmas pessoas, eu estou só. Afundando num abismo de solidão crescente, quando até eu mesmo me traio e me abandono, e meu corpo vaga como uma caixa vazia, eu me guardo, me escondo, sem minha própria presença, escondida de tudo que eu sou e significo, eu só não me quero mais.
      Sem porque exato, eu não quero mais o mundo, e quase ninguém me agrada, quando ninguém me entende, e nem eu mesma me basto, porque ninguém se faz bastar pra mim, quando compreensão vira piada, e se faz doce num sorriso hipócrita em meus lábios já cansados de fingir sorrir, eu desmorono. É, acho que conseguiram me derrubar. De novo.

Apresentação

    Constantemente me pego voando em pensamentos, reflexões, sonhos, devaneios tolos, diria eu. Tudo isso espontaneamente, diria até que automaticamente, e sou frequentemente tomada por um vontade de expressar-me, de por em complexas, ou não, palavras; o que eu também constantemente não consigo dizer. 
      Adianto-lhes que aqui encontrarás minhas mais loucas frustrações, minha maiores revoltas, o meu lirismo, o melancolismo que me toma tantas e tantas vezes, encontrarás o que há de mais piegas em mim, poderás me ver tomada e ódio e revolta, ou invadida de amor, e de uma felicidade que talvez seja transmitida tão irradiante quanto ela há de ser em mim, verás solidão, e um tédio cotidiano, lerás o que me há de vir à sentir, e o que me der vontade de escrever por aqui. 
      Desculpe se isso quase não pareceu-lhe uma apresentação, não costumo seguir a maioria dos padrões, e raramente sou o que pode chamar-se de convencional, considero-me um tanto estranha, na verdade. A propósito, só pra eu não soar ainda mais rude, chamo-me Júlia, tenho treze anos, e você é bem-vindo por aqui sim.